terça-feira, 25 de junho de 2013

Homem e natureza surreais em Robert e Shana ParkeHarrison

As fotografias do casal Robert e Shana ParkeHarrison não chamam a atenção apenas pelo fato de terem mais de vinte coleções expostas em diferentes locais pelo mundo, como no Japão, Canadá, Estados Unidos e Itália, mas porque suas fotos são poéticas e carregam um grande peso metafórico. Isso porque Robert aparece diversas vezes como um homem simplório que, em seus afazeres diários, tenta, de maneira simbólica, interagir com um planeta sujo e sombrio - seja por conta da poluição provocada pelo lixo ou por uma tristeza que provoca a fumaceira que domina as imagens.


"Minhas fotografias contam histórias de perdas, da luta humana e da exploração pessoal por cenários marcados pela tecnologia e pela sobrecarga... Eu procuro conectar metafórica e poeticamente as ações de trabalho, os rituais idiossincráticos e as estranhamente cruas máquinas com as histórias sobre nossa experiência moderna".


Tanto Robert quanto Shana são graduados em artes visuais. Depois de ter concluído seus estudos na Universidade do Novo México, em 1990, Robert adquiriu o título de mestre em artes visuais pelo Instituto de Arte da Cidade do Kansas, em 1994, e Shana se tornou bacharel em belas artes pela Faculdade Williams Woods, em Fulton, em 1986. Atualmente eles moram em Great Barrington, em Massachusetts, perto da faculdade de Holy Cross, onde Robert dá aulas de fotografia.


Mas o que chama atenção mesmo nas fotografias é a beleza no caos, na confusão causada pelas imagens surreais que trazem esse sentimento de esperança e, ao mesmo tempo, de tristeza. As séries Reclamation e Procession são dois exemplos que podem causar esse tipo de impressão, já que apresentam uma natureza controlada pelo homem, onde este é capaz de puxar as nuvens e segurá-las com cordas ou então descobrir o "tapete de grama" assim como Dalí ergueu a "coberta do mar" (Dali at the Age of Six, when he Thought he was a Girl, Lifting the Skin of the Water to see a Dog Sleeping in the Shade of the Sea, 1950).


Mas em vez de só provocar o estranhamento do surreal, Robert procura nos lembrar dos efeitos que causamos ao interferir na natureza e, para isso, manipula a fotografia durante a revelação ou então na impressão das imagens. Não se sabe muito sobre esses retratos, no quesito da técnica, mas se presta mais atenção na questão do estilo dos artistas e na mensagem que estes querem passar, especialmente conforme as cores escolhidas para as histórias ali registradas. E, no caso, ao propôr a discussão a respeito do nosso poder sobre a natureza, os ParkeHarrisons não só nos fazem pensar em nosso lado destrutivo e soturno, mas também numa leveza e numa simbiose entre as figuras humanas e os traços vegetais e animais não-humanos.











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