Pois é, acabei mudando algumas coisas no meu projeto de pesquisa sobre o Gottfried Helnwein. Segui os conselhos do meu orientador e tornei o foco mais voltado para a comunicação. Caso tenham interesse, este é o novo projeto, que também tem outro nome.
PROJETO: Fotografando Sombras - Um estudo sobre a obra do fotógrafo Gottfried Helnwein
segunda-feira, 4 de junho de 2012
domingo, 20 de maio de 2012
Corações Sujos
Resolvi fazer esse post para apresentar a vocês o filme nacional "Corações Sujos", dirigido por Vicente Amorim e baseado na obra homônima de Fernando Morais. O enredo trata de uma situação vivida após o fim da Segunda Guerra Mundial, quando os americanos temiam que os japoneses se tornassem hostis diante da derrota sofrida. No entanto, esse comportamento não foi verificado no Japão, mas em grupos de imigrantes que se instalaram no Brasil, especificamente no estado de São Paulo.
Sinopse: Corações Sujos é um filme sobre intolerância, fundamentalismo, racismo e amor, baseado no best-seller de Fernando Morais e passado no interior de São Paulo logo depois da Segunda Guerra Mundial. Ele conta a história do imigrante japonês Takahashi, dono de uma pequena loja de fotografia, casado com Miyuki, uma professora primária. Inspirado em fatos reais, Corações Sujos nos mostra a transformação de Takahashi de homem comum em assassino, enquanto sua mulher luta contra o destino, tentando em vão salvar seu amor em meio ao caos e à violência. No Brasil, logo depois da guerra, a imensa população de imigrantes japoneses (a maior fora do Japão) era segregada e reprimida pelo Estado. Para estes imigrantes, oprimidos numa terra estranha, a ideia de derrota na guerra era muito dolorosa. Muitas organizações, alimentadas pela ignorância imposta a eles pelo governo brasileiro, nasceram dedicadas a divulgar a “verdade” da vitória do Japão na guerra e a reprimir e assassinar os “derrotistas” – os “corações sujos”. Takahashi reluta, mas acaba se tornando membro de um destes grupos. A escolha feita por ele, em nome do Espírito Japonês, o transforma também num matador. E Miyuki, sua mulher, nos conta como sua história de amor se perdeu em meio à guerra fratricida - de japoneses contra japoneses - que aconteceu em pleno interior do Brasil. (Interfilmes)
Vale a pena para quem gosta do assunto e também para quem quer prestigiar um trabalho nacional que parece muito bem feito. O filme tem previsão de estréia para o dia 17 de agosto deste ano.
Sinopse: Corações Sujos é um filme sobre intolerância, fundamentalismo, racismo e amor, baseado no best-seller de Fernando Morais e passado no interior de São Paulo logo depois da Segunda Guerra Mundial. Ele conta a história do imigrante japonês Takahashi, dono de uma pequena loja de fotografia, casado com Miyuki, uma professora primária. Inspirado em fatos reais, Corações Sujos nos mostra a transformação de Takahashi de homem comum em assassino, enquanto sua mulher luta contra o destino, tentando em vão salvar seu amor em meio ao caos e à violência. No Brasil, logo depois da guerra, a imensa população de imigrantes japoneses (a maior fora do Japão) era segregada e reprimida pelo Estado. Para estes imigrantes, oprimidos numa terra estranha, a ideia de derrota na guerra era muito dolorosa. Muitas organizações, alimentadas pela ignorância imposta a eles pelo governo brasileiro, nasceram dedicadas a divulgar a “verdade” da vitória do Japão na guerra e a reprimir e assassinar os “derrotistas” – os “corações sujos”. Takahashi reluta, mas acaba se tornando membro de um destes grupos. A escolha feita por ele, em nome do Espírito Japonês, o transforma também num matador. E Miyuki, sua mulher, nos conta como sua história de amor se perdeu em meio à guerra fratricida - de japoneses contra japoneses - que aconteceu em pleno interior do Brasil. (Interfilmes)
Vale a pena para quem gosta do assunto e também para quem quer prestigiar um trabalho nacional que parece muito bem feito. O filme tem previsão de estréia para o dia 17 de agosto deste ano.
quinta-feira, 19 de abril de 2012
Flusser: ideologia como forma de fascismo
Vilém Flusser
Ricardo Mendes é autor da dissertação "Vilém Flusser: uma história do diabo" (2000), pela Escola de Comunicação e Artes da Universidadede São Paulo (ECA-USP). Em seu trabalho, ele conta a história do filósofo tcheco-brasileiro, o qual contribuiu muito com o pensar a comunicação, desde as imagens (Filosofia da Caixa Preta) à escrita (Língua e Realidade), além de temas existencialistas e fenomenológicos. No capítulo "Praga, a cidade", Mendes inclui o depoimento da advogada Maria Lilia Leitão, que relembra a descrição que Flusser fez à lembrança de quando o Hitler chegou em sua cidade natal.
"Eu lembro que o Flusser relatou isso numa das reuniões da casa dele para nós, com toda a emotividade dele, de um tcheco - porque o Flusser também era um grande ator, tudo que ele falava, ele punha tanta emoção e relatava as coisas também com um certo rigor e com um certo exagero também, de bom ator. Ele contou isto, que ele tinha 15 anos*, quando ele assistiu a entrada triunfal do Hitler com as tropas nazistas, os SS em Praga. Ele estava saindo da escola, passou pelo caminho para a casa numa praça, a praça principal da cidade e viu aquela arrumação fantástica, aquelas bandeiras vermelhas, aquela coisa iluminada, o palco, não sei o quê, o agito todo, a orquestra sinfônica e ele: “O que é isto?”. E de repente ele se pôs na multidão, bem perto ali do palanque e ele conta que ele nem sabia quem era o Hitler, ninguém podia imaginar quem era, mas a sensibilidade do Flusser era tão grande de ver as coisas, a realidade, ele tinha um olho diferente. Quando ele viu aquilo ele sentiu calafrios. Por que? Primeiro aquele aparato teatral, fantástico, digno de uma ópera wagneriana: Em plena praça pública aqueles Rolls-Royces, aquela coisa, aquela tropa SS, ele descrevia - todos de 1,85m, numa mesma altura, homens do tipo ariano puríssimo, lindos, jovens, com aquele uniforme da SS que era todo preto, botas de verniz preto até aqui. Olha como eu lembro dos detalhes! Eu nunca vi isso, o Flusser me contou: aqui tinha uma caveira em prata, aqueles botões em prata e o quepe alto também com a caveira que era o símbolo da SS, luvas brancas, marchando com aquele passo de ganso e chegaram no palanque. No palanque, então, tinha a orquestra sinfônica, imagina, essa orquestra maravilhosa começou a tocar Wagner. E aí que é que acontece? Chega um Rolls-Royce - que está todo já o aparato feito - (...), abre-se a porta do Rolls-Royce e um homem baixinho, desse tamanhinho, de capa de chuva, despenteado, com aquele bigodinho, com um cigarrinho aceso e entrou para o palanque escoltado por doze homens lindos da SS. Ele falou: “Aquilo era de um ridículo! - e quem é esse homenzinho?”. E aí o cara chega e aquela multidão fanática: “Heil Hitler! Heil Hitler!” E ele falou: “Olha, eu não sabia o que era aquilo, mas eu posso dizer para vocês que eu tive um prenúncio de uma coisa terrível, satânica. E eu pensei, mas o que esse homem vai falar deve ser, assim, a mensagem das mensagens para o século... Eram frases pequenas, curtas, mais slogans. Então ele não tinha pensamento nenhum: “A raça ariana dominará o mundo...” e todo o mundo: “Heil Hitler! Heil Hitler!” E aí: A Alemanha vai se levantar...então era um... quer dizer, não era nada, era tudo teatro.
O Flusser foi um dos grandes críticos do nacional-socialismo, de todos os tipos de fascismo e nazismo que ele falava de uma forma visceral e tudo que podia ter uma semente de ideologização e de autoritarismo e de falsidade e de manipulação do indivíduo ou do social e do coletivo para ele era taxado tranqüilamente de fascismo e nazismo. Isto é... até pelas cartas dele ele era assim muito claro, ele dizia: “Qualquer coisa neste sentido isto é ideologia e toda ideologia está manchada, tingida de fascismo e de nazismo”. E eu discuti isso muito, porque eu achava isso uma coisa muito radical; eu tive vários diálogos com ele lá na França: “Mas Flusser, você não pode dizer isso, isso é uma coisa pessoal sua, porque você teve todos os dados biográficos, você viu o Hitler, a sua família toda..., mas você não pode dizer que toda a ideologia é fascista, é nazista, é uma forma de nazismo.” Ele me explicou muito bem e hoje eu concordo plenamente com o Flusser, porque ideologia para ele o que era? Era um ponto de vista, parcial, abusivo, tendencioso e que não admite outros pontos de vista. Ele dizia: “A filosofia é exatamente o contrário da ideologia. A filosofia é você ter um ponto de vista e buscar outros, tantos quantos ou mais forem possíveis de se pensar a respeito daquele problema, daquela questão. A ideologia não. Ela é... por isso que toda a ideologia leva a um fanatismo, porque é uma visão parcial”. Então, realmente, é o nazismo fascismo por excelência, não é? Você manipula os outros através da sua ideologia, porque passa a ser a sua a ideologia de tal grupo, a ideologia de esquerda, a ideologia de direita - “Isso é indigno de um intelectual” - dizia o Flusser.
* A entrada de Hitler em Praga ocorreu em 15.03.1939, quando Vilém Fluser tinha 18 anos,conforme indica (RYBÁR, Ctibor. Jewish Prague: guide to the monuments. Czechoslovakia:TV SPEKTRUM, 1991, p.115), sendo recebido por parada de estudantes. Existe confirmaçãoda saída de Flusser de Praga, no mesmo mês, sem precisar dia, em carta de Flusser, datadade 19.02.1985, a Daniela Mrazkova e Vladimir Remes.
(MENDES, 2000, p.6-7)
Flusser teve pais, irmãos e avós mortos, em 1940, num campo de concentração. No ano seguinte, sua mulher e ele fugiram da Europa e vieram para o Brasil, tendo se naturalizado brasileiro em 1950. Aqui, o filósofo se aproximou de Dora Ferreira da Silva, poetisa, tradutora e estudiosa de Carl Gustav Jung.
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