sábado, 25 de outubro de 2014
Industrial Soundtrack For The Urban Decay
Industrial Soundtrack For The Urban Decay // Official Trailer from Amélie Ravalec on Vimeo.
Documentário reúne veteranos da música industrial para discutir sobre o gênero e a cena. Mais em http://www.industrialsoundtrack.com/about/
segunda-feira, 13 de outubro de 2014
Inovação a partir dos jovens
"A sociedade dos antropóides avançados, assim, controla os indivíduos por meio de suas sujeições e de suas hierarquias, mas não uniformiza as individualidades e permite-lhes desenvolver relativamente suas diferenças. Quando a hierarquia é rígida e autoritária, só os privilegiados da cúpula, e até mesmo só o chefe, é que podem desabrochar sua própria individualidade.
Desse modo, sociedade e individualidade aparecem-nos como duas realidades, que são, ao mesmo tempo, complementares e antagônicas. A sociedade maltrata a individualidade, impondo-lhe seus estatutos e suas sujeições, e oferece-lhe, ao mesmo tempo, as estruturas que lhe permitirão manifestar-se. Utiliza, para sua variedade, a diversidade individual, a qual, se assim não fosse, se dispersaria ao acaso na natureza, e, por outro lado, a variedade individual utiliza a variedade social para procurar desabrochar. Assim, ao nível da sociedade primática, já não podemos apresentar a sociedade como um simples enquadramento e o indivíduo como uma unidade que se arruma numa estante, já que o enquadramento é constituído pelas relações interindividuais e já que não há estante vazia enquanto não houver indivíduo para ocupá-la. Por outras palavras - e isto é capital - sociedade e individualidade não são duas realidades separadas, que se ajustam uma à outra, mas há um ambissistema em que, complementar e contraditoriamente, indivíduos e sociedade são constitutivos um do outro, embora se parasitando um ao outro".
Edgar Morin, O Enigma do Homem, p.42-43. Editora Zahar (1979)
"O estudo contínuo dos macacos da ilha de Kyushu permitiu detectar alguns desses fenômenos. Um grupo de macacos que vivia na orla da floresta tinha o costume de se alimentar de tubérculos, que eles limpavam com a mão, depois de os terem desenterrado; acidentalmente, um jovem aproximou-se da margem e deixou cair um desses tubérculos no mar, apanhou-o e, assim, descobriu que a água do mar não só poupava a limpeza manual, como também apresentava a vantagem do tempero. Esse jovem adotou o hábito de molhar seus tubérculos no mar, sendo imitado por seus companheiros, mas não pelos mais velhos; contudo, o hábito generalizou-se no decorrer da geração seguinte. Os macacos, a paartir de então, ampliaram seu espaço social, incluindo nele a beira d'água, o que resultou na integração de pequenos crustáceos e mariscos na sua alimentação. O embrião de 'cultura' dessa sociedade, isto é, as práticas e os conhecimento de caráter não-inato, enriquecera-se. O processo de inovação viera de um jovem e espalhar-se rapidamente pelo grupo marginal dos jovens. Com a subida dos jovens para a classe dos adultos, a inovação integrada tornava-se costume, trazendo consigo uma série de pequenas inovações que também se tornaram costume. É certo que se trata de um fenômeno menor e as modificações desta ordem na vida social até mesmo dos primatas mais evoluídos são mínimas, sem dúvida, num mesmo nicho ecológico. Mas podemos ver que a existência do grupo dos jovens, curioso, brincalhão, explorador e, ao mesmo tempo, marginal e desviado, constitui, para a totalidade da sociedade, uma fronteira aberta, através da qual podem emergir elementos de mudança.
A fonte da mudança é, aqui, um acontecimento aleatório que, logo que seu caráter prático e agradável é apreendido, se transforma em inovação, a qual se torna progressivamente costume. As condições da inovação são comportamentos desviados, ao acaso, frequentes entre os jovens, isto é, do ponto de vista da integração social, é 'ruído' ou desordem. Nós podemos captar ao vivo a transformação de um 'ruído' em informação e, também, a integração de um elemento novo, fruto de um comportamento aleatório, na ordem social complexa. Estamos no limiar da evolução sociocultural".
p.47-48
domingo, 12 de outubro de 2014
Hackeando os programas flusserianos
Thiago Reis é autor do artigo "É possível hackear a existência?", publicado na 17ª edição do Flusser Studies. Nele, ele discute o papel do hacker como uma possibilidade de modificação da nossa existência (Dasein) conforme joga ou "hackeia" programas, isto é, aquilo que faz com que os aparelhos funcionem.
Diante do tipo "funcionário", aquele que está submetido a um ou mais aparelhos, sendo ambos programados, o hacker age como uma espécie de revolucionário que visa quebrar essa lógica organizada por sistemas complexos e, muitas vezes, burocráticos, a partir de um jogo com o absurdo, em busca da liberdade.
"Cabe agora retomarmos a pergunta inicial, que toma sua forma fundamental: é possível hackear a existência? Ou seja, é possível quebrar e reorganizar os códigos aos quais estamos submetidos? É possível alterar o programa em execução de modo a fazê-lo funcionar em nosso benefício? É provável que sim, desde que joguemos com os programas em execução, na tentativa de esgotá-los em suas virtualidades, mas também na tentativa de criar certos bugs que quebrem a sua previsibilidade. A imprevisibilidade deve ser a meta. Certas habilidades técnicas são bem-vindas para que o “hack” ocorra. Mas, para nós, basta apenas uma simples mudança de posicionamento. Imaginemos um cenário possível".
Assinar:
Postagens (Atom)